Eurovisão expulsa Ucrânia se país proibir entrada de cantora russa

TEXTO: Ana Filipe Silveira

Se a Ucrânia insistir em proibir a entrada na Ucrânia da concorrente russa na Eurovisão, a organização do festival banirá o país de eventos futuros.

A organização do Festival Eurovisão da Canção avisou a Ucrânia, onde o certame se realiza este ano, que se não deixar a representante russa entrar no país e, desta forma, impedir a sua participação no concurso, banirá a Ucrânia das próximas edições do evento musical.

A União Europeia da Radiotelevisão (UER) responde assim ao comunicado emitido há cerca de uma semana pela televisão pública ucraniana, que adiantou que a russa Julia Samoilova não pode entrar no seu território. Os serviços secretos da Ucrânia (SSU) justificam a decisão com o facto de a intérprete, de 27 anos, ter atuado “de forma ilegal” na Crimeia após “a ocupação da região pela Rússia (em 2014)”.

A diretora-geral da UER, Ingrid Deltenre, dirigiu-se ao primeiro-ministro ucraniano, Volodymyr Groysman, referindo-se que a decisão terá “um profundo impacto negativo na reputação internacional” do país enquanto “nação europeia moderna e democrática”.

“A situação está a gerar fúria entre os nossos membros – os radiodifusores europeus – e recebemos comunicados a criticar a decisão e a considerar retirarem-se do evento”, refere Deltenre.

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A responsável recorda que nunca antes um país proibiu a entrada de um artista de atual na Eurovisão e “a UER não quer ver um precedente destes acontecer em 2017”. “Considerados a oposição à entrada da cantora russa inaceitável”.

Samoilova, que sofre de Atrofia Muscular Espinhal e cuja música é “Flame Is Burning”, cumpre o sonho de participar no certame. A conseguir, seria a segunda concorrente da história do Festival a atuar de cadeira de rodas. As semifinais realizam-se nos dias 9 e 11 de maio e a final está agendada para o dia 13 do mesmo mês, em Kiev.