Pedrógão Grande: ERC diz que TVI “não respeitou dignidade humana” em reportagem

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) considera que a reportagem emitida na TVI, a 18 de junho de 2017, sobre o incêndio de Pedrógão Grande “não respeitou a dignidade humana” nem “o dever de rigor informativo”.

A ERC deliberou que na reportagem emitida na edição de 18 de junho de 2017 do “Jornal das 8”, sobre os incêndios em Pedrógão Grande e assinada por Judite Sousa, “verificou-se a violação […] da Lei da Televisão, não respeitando a dignidade da pessoa humana, a ética de antena que lhe cumpre observar e que àquela se associa, bem como o dever de rigor informativo”.

O organismo que regula os media portugueses aponta ainda que a estação de Queluz de Baixo “adotou” uma “decisão individualizada” e ordenou o canal à “exibição e leitura do texto da decisão da ERC no serviço noticioso de maior audiência”.

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A deliberação publicada no site da ERC surge depois de esta ter recebido “mais de 100 participações que contestam o plano televisivo em que aparece um dos cadáveres da tragédia, na referida reportagem”, revelou a na altura a entidade em comunicado. “A ERC, consciente do estado de choque em que o País se encontra, sintoniza-se com a sociedade portuguesa e espera que a comunicação social seja de uma sensibilidade profissional a toda a prova, neste momento de luto nacional”, acrescentou.

Recorde-se que em exclusivo à N-TV, Judite Sousa fez uma única declaração em relação às críticas: “No comments”.

À Lusa, fonte oficial da Media Capital escusou-se a comentar a deliberação, indicando que “a TVI já não tem nada para dizer sobre o assunto” devido aos contornos que o tema assumiu na época em que a reportagem foi para o ar.

A Lei da Televisão refere que “a programação dos serviços de programas televisivos e dos serviços audiovisuais a pedido deve respeitar a dignidade da pessoa humana e os direitos, liberdades e garantias fundamentais”, e indica que todos os operadores de televisão têm obrigação de, em programas generalistas de cobertura nacional, assegurar “a difusão de uma informação que respeite o pluralismo, o rigor e a isenção”, entre outras questões.

TEXTO: Ana Filipe Silveira com Lusa