Assédio sexual. Maestro Charles Dutoit suspenso de funções após acusações

Maestro Charles Dutoit. Fotografia: Victor Fraile/Reuters

O maestro suíço Charles Dutoit, de 81 anos, está a ser acusado de assédio sexual por quatro mulheres, o que já levou vários orquestras de reputação internacional a cortarem ligações com ele.

Os casos foram denunciados na quinta-feira pela agência noticiosa Associated Press, revelando que três cantoras líricas e uma instrumentista foram vítimas de assédio sexual e comportamento inadequado por parte do maestro entre 1985 e 2010, em várias cidades norte-americanas.

Esta sexta-feira, Charles Dutoit e a Orquestra Filarmónica Real de Londres – da qual é diretor artístico e maestro principal – anunciaram num comunicado conjunto que suspendem relações, para que o maestro possa “ter uma oportunidade justa de procurar aconselhamento legal e contestar as acusações”.

Sublinhando que está comprometida “com os mais elevados padrões de comportamento ético”, a orquestra justificou a decisão para “manter um ambiente de trabalho seguro para todos os artistas, músicos e trabalhadores”.

Outras seis orquestras, de Nova Iorque, Chicago e Cleveland, anunciaram também que suspenderam a colaboração com o maestro para futuras atuações.

Em declarações à Associated Press, Joe Kluger, antigo presidente da Orquestra de Filadélfia entre 1989 e 2005, disse que na altura, no meio da música clássica, todos sabiam que Charles Dutoit era “extremamente engatatão” e tinha comportamentos inapropriados com várias mulheres.

“Recordo-me de dizer aos trabalhadores para que estivessem alerta ao pé dele e que denunciassem imediatamente qualquer atitude imprópria”, sublinhou Joe Kluger à AP, ressalvando, no entanto, que nunca teve conhecimento de qualquer queixa de assédio sexual.

À Associated Press, as quatro mulheres explicam que nunca formalizaram uma queixa porque eram jovens e Charles Dutoit eram o maestro para quem trabalhavam, assumindo que poderiam perder o emprego.

Charles Dutoit, que já liderou orquestras em Filadélfia, Paris, Montreal e Tóquio, recusou-se a prestar qualquer depoimento à AP.

Este é o segundo caso de acusação pública de assédio sexual, este ano, no universo da música clássica, depois de no início deste mês a Metropolitan Opera ter suspendido o maestro James Levine de funções por acusações de comportamento impróprio.

TEXTO: Lusa