Dia Mundial da Televisão: Como (e com quem) foi a primeira emissão da RTP? Veja o vídeo

Maria Armanda Falcão, mais conhecida pelo pseudónimo de Vera Lagoa, e Raúl Feio foram os primeiros rostos a surgir na caixinha mágica portuguesa. Aconteceu a 4 de setembro de 1956, naquela que foi a primeira emissão experimental da RTP.

Ela tinha 39 anos e era secretária na Emissora Nacional (EN). Ele era locutor da mesma empresa estatal de rádio. Maria Armanda Falcão e Raúl Feio foram os primeiros rostos da televisão no nosso país. Deram cara à primeira emissão experimental da RTP, na noite de 4 de setembro de 1956, cinco meses antes de a televisão pública ter iniciado as suas transmissões regulares, a 7 de março do ano seguinte.

“Na altura, era secretária, mas sempre gostei de experimentar outras carreiras. Soube que a Televisão andava à procura de apresentadoras, e, como era nova e fotogénica, fui ter com o responsável máximo da RTP e disse-lhe que gostava de ser locutora (…) Quando ele me perguntou que experiência tinha, disse-lhe que tinha a mesma dele, ou seja, nenhuma.”
Maria Armanda Falcão

“Uma das maiores revelações do nosso tempo” e “o maior espetáculo do mundo”. Foi assim que Feio chamou ao pequeno ecrã quando, às 21h30 desse dia, estreou a emissão a partir da Feira Popular da Palhavã, em Lisboa. Seguiu-se-lhe Maria Armanda Falcão, que apresentou um documentário gravado sobre ourivesaria portuguesa, e logo depois a “Revista Desportiva”, com Domingos Lança Moreira a entrevistar Alves Barbosa, então vencedor da Volta a Portugal em Bicicleta.

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Mais documentários, o espaço “Música e Artistas” preenchido com uma atuação de Leonor de Sousa Prado (violino) e Nella Maissa (piano), o primeiro serviço informativo – intitulado “Revista Mundial” – e, a terminar, o “Comentário do Dia” com um balanço dos principais acontecimentos nacionais e estrangeiros completaram a programação desse primeiro dia.

“Não nos podemos esquecer que vamos entrar em casa do próximo e que o próximo tem, portanto, todo o direito de nos indicar a porta da rua se as nossas maneiras forem francamente indesejáveis”.
Raúl Feio

Lopes da Cruz, presidente da Assembleia Geral da RTP, deixou uma mensagem aos espectadores: “Outras nações começaram mais cedo. É porém incontestável que estamos a andar mais depressa e melhor do que muitas delas. Demo-nos parabéns uns aos outros e cooperemos todos para que o difícil empreendimento seja coroado de pleno êxito. Trata-se da Televisão Portuguesa, isto é, para Portugal e digna de Portugal – digna da nossa história, do nosso patriotismo, das nossas tradições e das nossas crenças, instrumento e alavanca da elevação cultural, artística e espiritual da boa gente lusitana”.

TEXTO: Ana Filipe Silveira