Lembra-se de Rodrigo Guedes de Carvalho ator de novelas? Acha que estamos a brincar? Veja o vídeo

É um dos mais respeitados pivôs da televisão portuguesa. Mas houve um tempo em que Rodrigo Guedes de Carvalho, que esta terça-feira completa 54 anos, tentou fazer uma perninha nas novelas. Não, não estamos a brincar consigo. Foi em 1986, em “Palavras Cruzadas”.

A ideia nasceu à volta da mesa. Durante um jantar onde estavam presentes Nicolau Breyner, que realizou a novela para a RTP, a então companheira, e ainda Rodrigo Guedes de Carvalho e a ex-mulher, Paula Moura Pinheiro, surgiu a hipótese de o jornalista participar naquela novela. “Fez um assassino que andava sempre com uma laranja na mão”, contou mais tarde Nico, como era carinhosamente tratado. “Precisava de um tipo com o aspeto físico dele e cara de mau”, acrescentou o ator, falecido em 2014.

Rodrigo Guedes de Carvalho nunca levou a coisa muito a sério. Em 2015, em entrevista à revista “Notícias TV”, explicou que “não se perdeu ator algum” e que a experiência não passou “de uma brincadeira entre amigos”. “Usei a minha própria roupa e não recebi cachê. Matei a Adelaide João. Atirei-a pelas escadas. Acabámos por ficar grandes amigos”, contou.

“Ele estava a começar na realização e até simpatizava comigo. Às tantas, dizia-me: ‘Tu é que podias quebrar-me um galho: preciso de alguém para fazer o papel de segurança na novela’. E eu lá fui. Mas em momento algum me passou pela cabeça que iria nascer ali uma nova carreira para mim. Foi uma brincadeira. Fui só quebrar aquele galho [risos]”.

Rodrigo Guedes de Carvalho
Notícias TV

A carregar vídeo...

O pivô da estação de Carnaxide, filho de um médico e de uma das primeiras manequins portuguesas, acabaria por enveredar pelo jornalismo, embora o seu objetivo sempre tivesse sido “trabalhar em publicidade pela criatividade”. “Tive cabeça para perceber que em Portugal não podia ir por aí”, confessou o próprio à mesma publicação.

No ano da sua licenciatura, em 1986, acrescentou, frequentou “um curso no então Centro de Formação da RTP”. “Ainda hoje é a minha grande base de televisão. Depois, foi uma sucessão de alguma sorte e, quero acreditar, de algum talento”, concluiu.

Na redação da RTP começou por trabalhar no desporto, mas o convite de Emídio Rangel em 1991, para integrar a equipa que haveria de fundar a SIC um ano mais tarde, mudaria a sua vida. Em Carnaxide é um dos rostos do “Jornal da Noite”, tem integrado todas as grandes operações informativas do canal e integrou a direção de Informação.

TEXTO: Ana Filipe Silveira