Morreu Carlos Heitor Cony. Escritor estava internado desde o dia 26 de dezembro

Fotografia: Facebook

O escritor e jornalista brasileiro Carlos Heitor Cony, autor de “Quase Memória”, Prémio Jabuti, morreu na sexta-feira, aos 91 anos, informou este sábado a Academia Brasileira de Letras (ABL), de que era membro desde 2000.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1926, publicou o primeiro romance, “O ventre”, em 1958, recebeu por três vezes o Prémio Jabuti e afirmou-se como “um dos maiores escritores brasileiros” do último século, segundo a ABL, que o distinguiu com o Prémio Machado de Assis, pelo conjunto da sua obra, em 1996.

Opositor à ditadura militar, instaurada em 1964, foi detido por várias vezes, tendo-se exilado na Europa e em Cuba, sem jamais abandonar a atividade de jornalista, que manteve até pouco antes da morte, como cronista da Folha de S. Paulo e comentarista da rádio CBN, depois de uma carreira de quase 70 anos.

A sua última crónica para o jornal brasileiro,
“Uma carta e o Natal”, data de sábado
passado, 31 de dezembro.

É autor de 17 romances, como “A verdade de cada dia”, “Tijolo de segurança”, “Quase Memória”, “O piano e a orquestra” e “Pilatos”, considerado “uma de suas obras-primas”, segundo a ABL, narrativa que o autor dizia expressar a sua “visão do mundo”.

Além de livros de crónicas, contos e reportagens, escreveu também “JK”, sobre o antigo presidente brasileiro Juscelino Kubitschek, que decidiu a construção de Brasília.

A par do trabalho nos principais jornais brasileiros, Heitor Cony dirigiu igualmente o departamento de ficção da TV Manchete, nos anos de 1980, tendo criado as telenovelas “Marquesa de Santos”, “Dona Beija” e “Kananga do Japão”.

Em 1998, no Salão do Livro de Paris, foi
condecorado com a Ordem das Artes e
das Letras, pelo Governo francês.

Recebeu o prémio Mancel Antônio de Almeida, por “A verdade de cada dia” e “Tijolo de segurança”, o Prémio Jabuti por “Quase memória”, “O piano e a orquestra” e “Romance sem palavras”, entre outras distinções.

Em Portugal, tinha publicado “Quase memória”, na coleção Letras Tropicais, da editora Palavra (2005), e “Informação ao crucificado”, pela Bertrand (1976).

Carlos Heitor Cony morreu na noite de sexta-feira, na sequência de uma intervenção cirúrgica, no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro, onde se encontrava internado desde 26 de dezembro.

Na derradeira crónica para o Folha de S. Paulo, publicada no último dia de 2017, Carlos Heitor Cony cruzava o universo da infância com a perda da fantasia, numa carta para deixar junto à arvore, “com os demais brinquedos”. “Meu Natal acabou, e é triste a gente não poder mais dar água a um velhinho cansado das chaminés e tetos do mundo”.

TEXTO: Lusa