Morreu o “génio dos logótipos”. Tinha 85 anos e deixa obra em Lisboa

O designer gráfico Ivan Chermayeff, criador de alguns dos mais conhecidos logótipos a nível mundial, e de um painel de azulejos no Oceanário de Lisboa, morreu no domingo, aos 85 anos, noticiou esta segunda-feira o jornal de arquitetura “Archpaper”.

Designer, ilustrador e artista, que o jornal “The Guardian” apelidou de “Logo genius”, Chermayeff criou imagens memoráveis e icónicas para centenas de clientes, tendo sido sócio fundador da Chermayeff & Geismar & Haviv, uma das principais empresas de design gráfico, nos campos de identidade corporativa, desenvolvimento de marcas e design de logótipos.

Em Portugal, há três livros para a infância, publicados pela editora Bruaá, com ilustrações de Ivan Chermayeff: “Guarda como um segredo”, “Um nome para o cão” e “Estava a pensar”.

O autor concebeu ainda, em conjunto com o irmão,
Peter Chermayeff, o painel de azulejos com animais marinhos, no exterior do Oceanário de Lisboa.

Nascido em Londres, em 1932, filho de um designer industrial e arquiteto russo, autor do De La Warr Pavilion (com Erich Mendelsohn), Ivan Chermayeff foi jovem para os Estados Unidos, em 1940, juntamente com o seu irmão Peter, cofundador da Cambridge Seven Associates.

Ivan Chermayeff foi criado num meio de artistas, arquitetos, designers e intelectuais. Segundo o próprio contou, frequentou 24 escolas, uma dúzia de que não tinha “memória de nada, e outra dúzia que não teve nenhum efeito” sobre ele.

Finalmente formou-se em Yale, mas, numa entrevista gravada, disse que demorou “sete anos a recuperar da sua educação” e que “teria sido melhor estudar química para se preparar para ser designer”, pois isso ter-lhe-ia ensinado “disciplina”.

Ivan Chermayeff rejeitou a ideia de ser um arquiteto que “trabalha em coisas que demoram muito tempo, e que muitas vezes falham por falta de financiamento ou qualquer outra razão”. “Com o design gráfico, há a vantagem de que 99% do que fazemos é produzido” e adorava ver os seus logotipos “rapidamente publicados por toda a cidade”.

A sua empresa, Chermayeff & Geismar, fundada em 1957 (e que juntou Sagi Haviv, em 2006) praticamente definiu a imagem da América corporativa e criou logótipos para a Pan Am, Mobile Oil, Chase Bank, Xerox, NBC, State Farm Insurance, Hearst Corporation Showtime e muitas outras marcas.

A empresa criou também identidades para grandes instituições sem fins lucrativos e culturais, como o Museu de Arte Moderna (MoMA), Smithsonian Institution, Cornell University, National Geographic, Kennedy Center Honors, o Southern Poverty Law Center, Fundação John D. e Catherine T. MacArthur, Conservation International e a Biblioteca do Congresso.

Para a campanha mundial da Pan Am, concebeu o cartaz “Pan Am Portugal 1972”, com uma fotografia da costa oeste portuguesa, marcada pelo confronto entre o casario e as ondas altas do Atlântico.

Igualmente atribuída a este designer é a escultura do número nove vermelho, do 9 West 57th Street, na cidade de Nova Iorque.

Ivan Chermayeff acreditava que “o design é realmente um senso comum, qualquer tipo de imagem que se comunica é válida”.

Costumava dizer que a sua grande fonte de design era “fazer perguntas beligerantes”. Quando alguém apresenta um problema, é importante descobrir “se o problema apresentado é o problema real”, e ele acreditava que muitas vezes “não era”.

Ivan Chermayeff foi presidente do Instituto Americano de Artes Gráficas (AIGA) e a sua empresa recebeu a Medalha AIGA para design gráfico e comunicação visual, em 1979.

Os sócios da Chermayeff & Geismar & Haviv foram ainda homenageados pela “clareza e organização de seus sistemas gráficos e pela busca de detalhes consistentes que funcionam em todos os tamanhos e escala para resolver os problemas dos programas multilingues”.

TEXTO: Lusa