O que une os filhos dos presidente dos Estados Unidos? A defesa da sua intimidade

No xadrez político-partidário, os pais esgrimem argumentos, trocam acusações, ganham e perdem eleições. Mas os filhos dos presidentes norte-americanos estão unidos no mesmo propósito: defender a sua intimidade e o direito à sua vida privada.

A recente pressão mediática sobre o alegado primeiro namoro de Malia Obama, a filha mais velha do ex-presidente Barack Obama, foi apenas o mais recente pretexto. Na semana passada, vários tablóides publicaram fotografias de Malia a fumar e a beijar o seu primeiro alegado namorado, Rory Farquharson, filho de um conhecido investidor britânico.

As fotografias tornaram-se virais nas redes sociais. Uma das primeiras a reagir foi Ivanka Trump, a filha mais velha do atual inquilino da Casa Branca, que defendeu a jovem de 19 anos, que está a estudar na Universidade de Harvard.

“Malia Obama deveria ter a mesma privacidade que os seus companheiros de universidade. É uma jovem adulta e cidadã privada. Deveria estar fora da vida pública”, escreveu Ivanka, assessora direta de Trump na presidência, na sua conta de Twitter.

A filha mais velha de Bill Clinton afinou pelo mesmo diapasão. Pouco depois de Ivanka, com quem durante anos manteve uma boa relação por ambas partilharem os mesmos circuitos, Chelsea também escolheu a mesma rede para dar a sua opinião: “A vida privada de Malia Obama, como uma mulher jovem, estudante de universidade, cidadã privada, no deveria ser objeto de clicks. Seja melhores”, escreveu.

 

Quando em janeiro deste ano, o filho mais novo de Trump, de apenas 11 anos, foi criticado pela forma como se tinha vestido para a posse do pai como Presidente dos Estados Unidos, a filha de Clinton também saiu em defesa de Barron Trump.

“Barron é uma criança. Nenhuma criança deveria ser sujeita a comentários destes, nem em pessoa, nem online. É uma vergonha”, escreveu a filha do antigo presidente democrata e de Hillary, candidata derrotada por Trump nas últimas eleições. Chelsea acrescentou na altura que “já é hora da imprensa e todo mundo deixarem em paz Barron Trump e permitirem que ele tenha a juventude privada que merece”.

Segundo o jornal “El Pais”, que desenvolve a história neste sábado, esta cumplicidade entre os filhos dos presidentes americanos, sejam eles republicanos ou democratas, tem uma explicação: a semelhança das suas experiências.

O diário espanhol recorda que Chelsea passou oito anos fundamentais na definição da sua personalidade, entre os 12 e os 20, na Casa Branca, durante a administração do pai. Já Malia Obama tinha dez anos quando o pai se tornou Presidente dos Estados Unidos, cargo que ocupou durante dois mandatos, ou seja, oito anos. Ou seja, todos conhecem, melhor do que ninguém, a pressão de ser “filho de”…

TEXTO: Nuno Azinheira