Sucesso da transformação do New York Times mostra que imprensa pode sobreviver

Fotografia: Gary Hershorn/Reuters

O êxito do novo modelo de negócio implantado pelo diário The New York Times, baseado na subscrição da versão digital, demonstra que os periódicos podem sobreviver ao impacto das novas tecnologias, é defendido num livro apresentado esta quinta-feira.

O autor da tese, desenvolvida no livro “A Reinvenção do The New York Times”, é o jornalista espanhol Ismael Nafria, que o apresentou esta quinta-feira no simpósio ‘TVMorfosis’, cuja 31.ª edição decorre na cidade mexicana de Guadalajara, por motivo da Feira Internacional do Livro (FIL).

Nafria sustenta que as premissas do novo modelo do The New York Times baseiam-se na oferta de um produto de qualidade adaptado à era digital e mostrar aos seus leitores que é um meio relevante e imprescindível para as suas vidas.

Números relativos ao terceiro trimestre deste ano indicam que as receitas provenientes das assinaturas e da publicidade da versão digital representam 35%, frente aos 58% da impressa, estimando-se que atinjam os 50% em 2020.

O número de assinantes da versão digital supera ligeiramente os dois milhões e o preço médio mensal é de 15 dólares (12,6 euros).

“Este modelo confirma que a assinatura digital é o caminho para a sobrevivência dos periódicos. O modelo tradicional da publicidade está esgotado”, afirmou Nafria à Efe.

Para este autor, o acesso livre aos conteúdos dos meios de comunicação demonstrou ser um erro, porque a publicidade digital não pode substituir a tradicional nos títulos impressos.

“Na realidade, a publicidade digital dos meios está absorvida em quase dois terços pelo Facebook e pelo Google e os títulos não podem concorrer com estes dois gigantes”, acrescentou Nafria.

Em alguns países nórdicos, na Holanda e em outros impuseram-se modelos semelhantes com um bloqueio aos conteúdos grátis.

“A ideia que defende que nos países de língua hispânica é complicado que os leitores paguem por um conteúdo que até então era gratuito parece totalmente equivocada. Se se oferecerem conteúdos de qualidade e relevantes, os leitores pagam”, afirmou o autor e jornalista.

A propósito, Nafrias recordou que tem havido muita pirataria na música e no cinema, mas agora as pessoas estão dispostas a pagar pelo Spotify ou Netflix porque oferecem música e filmes de qualidade.

“Para implantarem novos modelos de negócios, os jornais têm de conhecer muito bem a sua audiência e, a partir de aí, apostar no jornalismo de qualidade e visual, conforme as novas ferramentas das novas tecnologias”, acrescentou.

“Sem um modelo de pagamento e conteúdos de qualidade que sejam relevantes para os leitores é impossível os títulos impressos possam sobreviver”, estimou Nafrias, que dedicou um ano ao estudo, nos EUA, do desenvolvimento do novo modelo do diário nova-iorquino.

Nesta edição da ‘TVMorfosis’, organizada pelo Canal 44 de Guadalajara e a Universidade de Guadalajara, participa uma trintena de profissionais e especialistas da indústria audiovisual oriundos da Península Ibérica e da América Latina e de universidades.

TEXTO: Lusa