TVI/Altice. “Tudo deve ser reanalisado, até o quinto canal”, defende Carlos Magno

Carlos Magno, presidente da ERC. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

O presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Carlos Magno, afirmou esta quarta-feira que “tudo deve ser reanalisado” pelos novos membros deste órgão, não só a compra da Media Capital pela Altice, como “até o quinto canal”.

Os três membros da ERC – Carlos Magno, Arons de Carvalho e Luísa Roseira – foram esta quarta-feira ouvidos na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito de um requerimento do Bloco de Esquerda (BE) sobre o negócio da compra da Media Capital (dona da TVI) pelo grupo Altice (que comprou há mais de dois anos a Meo/PT).

Tendo em conta que os três membros não chegaram a acordo no parecer sobre o negócio, Carlos Magno considerou, em resposta aos deputados, que tudo deve ser revisto.

“Acho que tudo deve ser reanalisado,
até o quinto canal. Está na altura de rever tudo.”

Carlos Magno

“Continuamos a viver o regime […] de que quem está não quer que ninguém entre”, salientou Magno, que considerou que “o que se passou com a PT no passado é uma vergonha”.

“A história da concessão da TDT
[televisão digital terrestre] é uma vergonha.”

Carlos Magno

“Espero que o próximo regulador seja dono e senhor da sua agenda”, sublinhou Carlos Magno, cujo mandato terminou em novembro do ano passado.

Na sua intervenção, Carlos Magno citou por mais de uma vez uma entrevista do presidente da NOS, Miguel Almeida, ao Expresso, há praticamente um ano, em que este afirmava “Se a Altice comprar a TVI e os reguladores não fizerem nada haverá guerra”, apontando que esta é uma “profecia que se cumpre a si própria”.

Magno, que reiterou que é “fundamental” um debate, lamentou que o Conselho Regulador não tenha sido chamado “mais cedo” para ser ouvido pelos deputados sobre o processo Altice/Media Capital.

“Este processo vai demorar
mais tempo do que o previsto.”

Carlos Magno

Sublinhou ainda que “ninguém vai para a ERC para ser feliz”.

No final da audição, o deputado do BE Jorge Campos manifestou-se “pouco esclarecido”.

TEXTO: Lusa