Violência doméstica. Carrilho: “Agressor aqui só há um: Bárbara Guimarães”

Manuel Maria Carrilho. Fotografia: Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

O antigo ministro da Cultura e arguido Manuel Maria Carrilho declarou esta segunda-feira em julgamento que a ex-mulher, Bárbara Guimarães, é uma “falsa vítima” de violência doméstica e que a “falsa vítima foi o verdadeiro agressor”.

“Agressor aqui só há um: Bárbara Guimarães”, disse Manuel Maria Carrilho nas suas últimas declarações em julgamento, antes de a juíza marcar para 15 de dezembro a leitura da sentença do processo em que o antigo ministro está acusado de violência doméstica contra a ex-mulher e apresentadora da televisão.

Optando por falar no final de julgamento, Carrilho considerou este processo um “aviltamento” à luta contra a violência doméstica, alegando o “torrencial de fragilidades da acusação” e as “tantas mentiras” que foram ditas em tribunal, nomeadamente por testemunhas que vieram dizer que a apresentadora só bebia “um copito” ou outro, quando, na realidade, apontou, já foi apanhada pela polícia a conduzir com 2,8 gramas de álcool no sangue.

Carrilho vincou que os filhos Dinis e Carlota são as verdadeiras testemunhas do que se passou e de quem, afinal, foi o agressor neste caso, alegando que foi “alvejado pelas costas” pela ex-mulher, que o acusou de violência doméstica, deixando a comunicação social “acampada” à porta da sua casa.

O antigo ministro admitiu que o “golpe” que lhe foi desferido pela ex-mulher o deixou “fora de si” e o levou a dizer publicamente coisas que não devia ter dito, mas que havia revelações que tinha de ser feitas.

“Quero reiterar a total inocência face à escabrosa
acusação feita por Bárbara Guimarães.”

Manuel Maria Carrilho

O socialista insurgiu-se ainda contra aquilo que designou de “plano miserável”, que disse estar a arrasá-lo e aos filhos, nos últimos quatro anos.

Na primeira sessão de alegações, o Ministério Público tinha pedido três anos e quatro meses de pena suspensa para Carrilho, dando como provado o crime de violência doméstica de que é acusado.

Nessa sessão, realizada na semana passada, o advogado de Bárbara Guimarães pediu uma pena efetiva de prisão de três anos e dez meses para o ex-ministro, considerando que foi provado o crime de violência doméstica e vários de difamação.

Por sua vez, a defesa de Manuel Maria Carrilho pediu a absolvição do seu cliente por as acusações serem uma “história patética e muito mal contada”.

Num outro processo que envolve o ex-casal, a 31 de outubro, o tribunal condenou Manuel Maria Carrilho a quatro anos e seis meses de prisão com pena suspensa por agressão, injúrias, violência doméstica, entre outros crimes cometidos contra a apresentadora de televisão em 2014 a quem terá de pagar 50 mil euros.

TEXTO: Lusa