Zé Pedro/Óbito: Emoção e aplausos na despedida do “Homem do Leme”

Centenas de pessoas aplaudiram este sábado fortemente o guitarrista Zé Pedro quando o seu corpo saiu do Museu dos Coches, em Lisboa, ao som da música “O Homem do Leme”.

Depois de uma hora em que o espaço esteve encerrado apenas para familiares e amigos mais chegados, o corpo do guitarrista dos Xutos & Pontapés saiu, enfim, para o exterior, onde era aguardado por centenas de fãs do carismático músico português, falecido quinta-feira em Lisboa.

Quando, no exterior, começou a ser tocada a música da banda e o caixão saiu, as centenas de pessoas que entretanto se foram juntando na entrada aplaudiram e cantaram em coro.

O cortejo fúnebre seguiu depois a pé até ao Mosteiro dos Jerónimos, onde a missa de corpo presente se realizava a partir das 13:30.

Pelo caminho, populares que se juntaram ao longo da estrada foram aplaudindo, os turistas perguntavam quem tinha morrido e até os funcionários dos Pastéis de Belém saíram para a rua para homenagear o guitarrista.

Muitas figuras públicas, amigas de Zé Pedro, compareceram para o último adeus ao guitarrista da banda de rock.

“Ele era um dos melhores de nós”, disse o músico Adolfo Luxuria Canibal, visivelmente emocionado, enquanto Jorge Palma, com a voz embargada, foi incapaz de dizer mais do que: “Venho despedir-me de um grande amigo”.

Tó Trips, Kalu e os restantes elementos da banda Xutos & Pontapés foram outros dos músicos que marcaram presença nas cerimónias fúnebres do guitarrista.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, voltaram a estar presentes na cerimónia, tal como já tinha acontecido na véspera durante o velório.

O deputado do PCP António Filipe não quis também deixar de homenagear o músico, recordando os “anos inesquecíveis” em que os Xutos encerraram a Festa do Avante!.
“Venho prestar a minha homenagem, mas não a última porque o Zé Pedro vai continuar muito presente pela obra que deixa”, afirmou, lembrando que os Xutos atravessam e vão continuar a atravessar muitas gerações.

Depois da missa de corpo presente, o corpo de Zé Pedro seguiu para o crematório do Cemitério dos Olivais, numa cerimónia privada.

O guitarrista dos Xutos e Pontapés morreu na quinta-feira, aos 61 anos. Zé Pedro estava doente há vários meses, mas a situação foi sempre mantida de forma discreta pelo grupo, só tendo sido assumida publicamente no passado dia 04 de novembro, no derradeiro concerto do músico, no fecho da digressão dos Xutos & Pontapés, no Coliseu de Lisboa.

No final na década de 1970, em 1978, Zé Pedro, com Zé Leonel e Paulo Borges, criou a banda Delirium Tremens, que mais tarde passou a chamar-se Xutos & Pontapés, com a entrada de Kalú e de Tim, para o lugar de Paulo Borges.

O primeiro concerto dos Xutos & Pontapés realizou-se a 13 de janeiro de 1979, nos Alunos de Apolo, em Lisboa.

TEXTO: Agência Lusa