Cantor Dino D’Santiago: “Sentir Lisboa confinada é triste, ela não merece”

Dino D'Santiago
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Dois anos depois de “Mundu Nôbu”, Dino D’ Santiago surpreendeu o público (e o vírus) e lançou o álbum “Kriola”, em abril.

Dino D’Santiago nasceu em Quarteira, no Algarve, mas as raízes cabo-verdianas e a vivência de Lisboa e do mundo têm sido presença forte nas sonoridades do músico. No início de abril, lançou sem qualquer aviso o álbum “Kriola”.

A surpresa do contexto atual trouxe também admiração a Dino D’Santiago por nunca achar que “com este confinamento as pessoas se pudessem manifestar de todos os cantos do globo. “Tem sido uma ‘Kriola’ bem dançante, tem corrido maravilhosamente bem.”

O “timing” para lançar o disco acabou por não se tornar num azar mas sim “na melhor coisa que aconteceu ao álbum” porque “as pessoas tiveram tempo para ouvir as canções e as mensagens com atenção”.

Este ano começou com a participação como compositor no “Festival da Canção”, com o tema “Diz Só”, na voz de Kady, a alcançar o 4º lugar na Grande Final. “Senti que vencemos ao passar a mensagem. As pessoas identificaram-se com o lado feminista da canção, com a revolução cultural e essa era a nossa missão maior”, refere Dino em entrevista ao programa “Eu Chico em Casa”.

O Festival Eurovisão da Canção acabaria por ser cancelado. No entanto, Dino D’Santiago afirma que “a Elisa esteve muito bem, foi uma justa vencedora. Fiquei triste porque a Elisa merecia ter representado a nossa canção lá fora mas o melhor já aconteceu: as pessoas conhecem-na, assinou um contrato com uma editora e a vida só lhe vai sorrir daqui para a frente”.

O autor de “Nova Lisboa” tem visto com nostalgia a nova realidade da cidades que considera “a mais aculturada e misturada”.

Dino confessa as “saudades do ruído da cidade de Lisboa, dos vários sotaques, de escutar crioulo no metro, de sentir os cheiros e temperos de vários países diferentes. Sentir Lisboa confinada é triste”.

No feriado do 25 de abril, Dino apresentou, com o músico Branko, um concerto ao vivo numa das maiores avenidas da capital, vazia. “Quando estive na Avenida da Liberdade a tocar com o Branko e a ouvir o meu eco foi um agridoce terrível. Foi um momento único mas não quero que aconteça nunca mais”.

O momento foi marcante para o cantor. “Chorei em casa. Celebrámos a liberdade com uma avenida deserta.”. No entanto, a repercussão e o impacto que tiveram junto das pessoas mostrou que “não estávamos sozinhos”.

A amizade com Madonna, desde que a cantora se mudou para Portugal, reforçou a paixão de Dino pelo público estrangeiro. “Gosto de tocar lá fora, de sentir as pessoas a não perceberem a língua e as letras mas a serem contagiadas pelo ritmo. Os estrangeiros limitam-se a sentir e isso diz-nos o que é bom ou menos bom”, admite Dino.

Para o cantor é ainda essencial “deixar o preconceito de lado, de não entender “o verbo”, mas sentir mais”.