Joana Latino criticada por artistas portugueses após comentário sobre Bruno Nogueira

Joana Latino
Instagram Joana Latino

Joana Latino está a ser criticada por artistas portugueses após ter feito um comentário sobre o “Como é que o bicho mexe” feito por Bruno Nogueira no Instagram, durante dois meses de quarentena.

A meio do programa “Passadeira Vermelha”, da SIC, surgiu o tema da rubrica digital que o humorista esteve a conduzir, convidando diversas caras conhecidas como Nuno Markl, Cristiano Ronaldo, Nuno Lopes, Beatriz Gosta, entre outros.

“Os artistas em vez de fazerem tantos discursos miserabilistas, catastrofistas e de autocomiseração, deviam mexer-se. E um série desses artistas continuam a não se mexer e se calhar deviam olhar para este exemplo, desta equipa que teve uma trabalheira durante dois meses. Fizeram o inimaginável que foi transformar a adversidade na melhor coisa possível. Isto foi bombástico. Isto é que é ter amor à profissão e ter sentido de responsabilidade e de utilidade”, disse Joana Latino sobre o “Como é que o bicho mexe”.

Estas palavras não caíram bem em alguns artistas portugueses, nomeadamente, o realizador Vicente do Ó.

“Joana, a diferença entre os diretos do Bruno, Markl e companhia e uma companhia de actores da Covilhã é e continua a ser sempre a mesma: sentido de oportunidade, centralismo e mediatismo”, começou por afirmar o realizador. “O Bruno cresceu na televisão. Todos nós acompanhamos a sua carreira desde a piada ‘do senhor do bolo’. O Bruno tem construído o seu protagonismo entre a televisão, teatro e a rádio. O Bruno, que até podia estar quieto, preferiu fazer isto porque sim e porque pode. Não porque tenha que desesperadamente passar uma ideia de necessidade”, acrescentou.

Na opinião soberana da jornalista Joana Latino no programa da SIC passadeira vermelha, os artistas que se viram privados…

Publicado por Vicente Alves Do Ó em Segunda-feira, 18 de maio de 2020

” […] Mas não menorizes todos os outros que não são conhecidos, que fazem um live para quatro pessoas e que ao ficar em casa com os teatros fechados não tem como comprar comida. Miserável é a tua incapacidade real de ver, de empatizar e de procurar saber. Miserável é nestes momentos em que dás a ‘tua opinião’, perderes a característica mais interessante da tua profissão: curiosidade e verificação de factos”, rematou.

Por sua vez, Nuno Markl, que participou nos diretos de Instagram de Bruno Nogueira, saiu em defesa do humorista e da cultura: “Não é bonito ver o #comoéqueobichomexe ser usado como arma de arremesso contra a classe artística, como se os diretos do Bruno se revelassem, afinal, a solução mágica para os graves problemas de uma quantidade tremenda de profissionais da cultura, em extraordinárias dificuldades nestes tempos. É grosseiro e demagógico, quase num nível Bolsonárico, que se levante a questão ‘De que se queixam, se está provado que é só ligar o Instagram e criar uma oportunidade de trabalho?’. O Bicho nunca foi, nem pretendeu ser um modelo de negócio ou um ganha-pão para os seus intervenientes. Diria até que todos os que entrámos nesta aventura do Bruno somos bastante privilegiados: a nenhum de nós falta trabalho, nenhum de nós está a passar fome”.

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Não é bonito ver o #comoéqueobichomexe ser usado como arma de arremesso contra a classe artística, como se os directos do Bruno se revelassem, afinal, a solução mágica para os graves problemas de uma quantidade tremenda de profissionais da cultura, em extraordinárias dificuldades nestes tempos. É grosseiro e demagógico, quase num nível Bolsonárico, que se levante a questão “De que se queixam, se está provado que é só ligar o Instagram e criar uma oportunidade de trabalho?”. O Bicho nunca foi, nem pretendeu ser um modelo de negócio ou um ganha-pão para os seus intervenientes. Diria até que todos os que entrámos nesta aventura do Bruno somos bastante privilegiados: a nenhum de nós falta trabalho, nenhum de nós está a passar fome. Mas há muita gente que está, e não são só “os artistas”, são todos os profissionais cuja vida depende das mais diversas actividades culturais. Achar que é só improvisar uns directos, lembra os gurus empreendedores que, no auge da crise – e eles devem estar a reaparecer – diziam que cabia ao povo não se queixar e ter motivação e criatividade, o que é a falácia mais manhosa e insultuosa de sempre. Além disso, atacar os agentes da cultura é retórica facha: a ideia de que a arte é coisa supérflua, que há “coisas mais importantes” e que a vida de artista se resolve com um estalar de dedos é pantanosa, triste e injusta. A classe artística não é queixinhas – é feita de muita gente com vidas, com famílias, e que há meses que tem a sua vida suspensa, com tanto trabalho adiado sine die, ou mesmo definitivamente cancelado.

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