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Quem escreve estas linhas nunca passou por semelhante dor. Não é capaz de quantificar uma tragédia indizível: a de ver desaparecer alguém que lhe está próximo. Não se trata da morte física: trata-se mesmo de gente desaparecida.

Este grupo de britânicos, de todas as idades, são familiares de cidadãos que desapareceram sem deixar rasto, e cuja paradeiro há anos que as autoridades policiais desconhecem.

Como se vive nessa angústia permanente? Como se vive sem chorar a morte de um corpo que nunca apareceu? Como se resiste a essa morte lenta interior que impede de avançar quando lá dentro há uma ténue esperança de que tudo seja um pesadelo?

Estes homens e mulheres, unidos pela dor, juntaram-se com a música. Uma forma de terapia. O coro foi ao “Britain’s Got Talent”, o homólogo britânico do “talent show” português. A sua atuação é um murro no estômago, que não deixa indiferente público e jurados. No final, todos se levantam em lágrimas. Ao fundo, a frase que, há anos, se repete maquinalmente naquelas cabeças: “I Miss You” (“Sinto a tua falta”, em tradução livre).

TEXTO: Nuno Azinheira