Príncipe William inicia visita a Israel no Museu do Holocausto. Viagem tem significado especial para a família

O príncipe William do Reino Unido encontrou-se esta terça-feira com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém, depois de ter estado no Museu do Holocausto Yad Vashem.

Trata-se da primeira visita de um membro da família real britânica à tumultuosa região que o Reino Unido um dia controlou.

O duque de Cambridge, que chegou na segunda-feira à noite a Israel, iniciou a visita no Yad Vashem, que atribuiu à sua bisavó, a princesa Alice, o título de Justo entre as Nações, pelo seu papel no resgate de judeus durante o Holocausto.

Segundo o Yad Vashem, a princesa Alice “escondeu os três membros da família Cohen – Rachel, Tilda e Michelle – no seu palácio de Atenas durante a ocupação nazi da Grécia”. Graças a ela, a família Cohen sobreviveu e vive hoje em França.

A princesa, mãe do príncipe Filipe, marido de Isabel II, morreu em 1969 e em 1988 os seus restos mortais foram levados para Jerusalém.

Após a visita ao museu dedicado aos cerca de seis milhões de judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial, o príncipe William foi recebido por Netanyahu e pela sua mulher, Sara, na residência do primeiro-ministro de Israel.

Embora os serviços de William insistam que a viagem do príncipe é desprovida de mensagem política, o duque de Cambridge vai encontrar-se com líderes israelitas e palestinianos e visitará lugares históricos de Jerusalém no centro do conflito israelo-palestiniano.

Três décadas de domínio britânico entre as duas guerras mundiais ajudaram a criar algumas das anomalias do atual conflito. O Reino Unido retirou-se da região em 1948 antes do estabelecimento de Israel e da Jordânia.

Membros da direita israelita criticaram o facto de a parte da visita do príncipe a Jerusalém oriental ter sido apresentada pelos britânicos como decorrendo nos territórios palestinianos ocupados.

Mas a anexação de Jerusalém oriental por Israel nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, que considera a zona território ocupado.

“Apenas seguimos o que há décadas é utilizado nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, disse o cônsul-geral do Reino Unido em Jerusalém, Philip Hall, adiantando: “não há mudança de posição”.

Exercício delicado num período sensível, a visita poderá ampliar as credenciais internacionais de William, 36 anos e segundo na linha de sucessão ao trono.

TEXTO: Lusa
FOTOGRAFIAS: Reuters