RTP estreia “Amnésia”, a sua primeira série exclusivamente digital. Seguem-se outras três

O operador público estreia esta segunda-feira aquela que é a sua primeira série exclusivamente pensada e emitida nas suas plataformas digitais. “Amnésia” poderá ser vista na RTP Play, no YouTube e no Instagram. Seguem-se outras três.

“Amnésia”, que a RTP estreia esta segunda-feira, dia 30, é a primeira série desenvolvida pela estação pública para as suas plataformas digitais. Trata-se de um “thriller” em 12 episódios, que poderá ser visto exclusivamente na RTP Play, no YouTube e no Instagram. Uma aposta saída da RTP Lab, um laboratório lançado no ano passado através do qual o operador público fomenta o desenvolvimento de conteúdos digitais, convidando as produtoras a criar programas que vão além dos tradicionais formatos de TV.

O Instastories, funcionalidade da rede social Instagram que permite a partilha de imagens e vídeos durante um período limitado de tempo, está na base deste “thriller”. Um dos maiores desafios, explicou Nuno Bernardo à agência Lusa, da beActive, foi pensar na história para essa funcionalidade, onde normalmente as imagens surgem na vertical, contrariando a horizontalidade dos televisores.

“Obriga-nos a, por um lado, enquadrar e contar a história de maneira diferente, e, por outro lado, ter atenção à montagem, ao ritmo, ao enquadramento, como uma forma de usar uma linguagem que é comum na comunicação de jovens e adultos hoje em dia, como forma de contar uma história ficcional”.
Nuno Bernardo

A ação desenrola-se em torno da “blogger” Joana Almeida (Ana Vilela da Costa), que, na manhã da publicação do seu primeiro romance enquanto autora, acorda com o seu namorado, Carlos (Nuno Janeiro), morto ao seu lado. Os 12 capítulos seguem a luta que tem de travar para provar a sua inocência, o que se torna complicado por sofrer de amnésia traumática e não se recordar do que aconteceu no último ano.

“Para nós, [o Instastories] tem muito a ver com essa lógica da amnésia, de pequenas partes da nossa memória poderem aparecer e desaparecer. Então esta história vai ser contada usando essa funcionalidade, onde fomos recriando o último ano desta personagem, aquilo que ela não se lembra, com estes pequenos fragmentos que ela vai recordando e vão aparecendo no Instastories”, explicou ainda Nuno Bernardo à Lusa.

Mais três séries a caminho

Além de “Amnésia”, a RTP prepara-se para lançar outras três séries de ficção saídas da RTP Lab. São estas “#Casadocais”, uma “história sem tabus sobre o que é ser jovem no novo milénio”, lê-se no site da estação, em torno de uma rapariga que partilha casa com quatro amigos excêntricos. “É o materializar do sonho de produzir uma série de comédia com que a nossa geração se consiga identificar. É fantástico ter a oportunidade de mostrar realidades e mentalidades diferentes, assim como a aventura que é ser jovem hoje em dia, numa linguagem atual, crua e cómica”, frisa a youtuber Peperan, uma das autoras deste formato. A estreia esta agendada para janeiro do próximo ano na RTP Play e no YouTube.

Segue-se “Subsolo”, também com arranque em janeiro na RTP Play e YouTube. Joana Peralta, da VideoLotion, explica que se trata de uma “websérie de cinco episódios, com o objetivo de fazer ficção de qualidade cinematográfica num formato a que esta característica não é comum”. “O interesse em realizar ‘Subsolo’ nasce da vontade de mostrar um retrato de uma geração, num formato de guerrilha mas que vinga pela particularidade do conteúdo”. A ação, esse, é centrada num grupo de jovens que contam a sua história de sobrevivência numa cidade de sombras e escuridão.

Por último, chegará em fevereiro “Appaixonados”, uma comédia romântica interativa na qual o público faz de cupido e que pode ser acompanhada na RTP Play, no YouTube e numa App móvel criada para o efeito. A protagonista é Ana Real, uma mulher de 32 anos que está solteira há três e decide procurar o amor da sua vida na internet. Regista-se numa aplicação onde os utilizadores fazem de casamenteiros e votam no “blind date” que querem ver na semana seguinte. “O espetador pode escolher quem vão ser os seus próximos encontros. A direção da narrativa é escolhida por todos e a equipa de escrita vai ter de se adaptar semana a semana. A App de ‘Appaixonados’ vai permitir a qualquer pessoa participar na escrita e decidir o destino romântico da Ana”, relata Guilherme Trindade, da Ankylosaur.

TEXTO: Ana Filipe Silveira