“A culpa deve ser minha…” Carlos Areia assume ter pensado no suicídio

Carlos Areia fez um relato cru sobre a forma como tem vivido nos últimos anos. O ator admitiu ter sido “obrigado a abdicar de algumas refeições” para enganar a fome e assumiu que a ideia do suicídio já lhe passou pela cabeça.

É dos depoimentos mais impressionantes na história do programa “Alta Definição”, da SIC. Afastado da televisão há três anos, Carlos Areia falou na primeira pessoa sobre as dificuldades financeiras por que tem passado.

“Vivo com 342 ou 362 euros por mês, um Complemento Solidário para Idosos. E depois vivo com os cachês da bilheteira dos espetáculos que faço. […] Aquilo a dividir por sete ou por oito… Nem te digo nem te conto”, confidenciou a Daniel Oliveira, acrescentando que a sua “sorte” é “ter uma família que [o] apoia”. “Se não… Não sei, não faço ideia”, continuou.

“Gosto muito de fazer teatro.
Não fazer nada mata-me. Fico doente…”

Carlos Areia

O ator, de 73 anos, 50 dos quais dedicados à arte da representação, admitiu na mesma entrevista que tem dívidas nas finanças, mas que não tem capacidade para as amortizar. Um facto que, contou ainda, contribuiu para “algumas noites sem dormir” e “muitos dias complicados” com que se deparou.

Por causa das necessidades financeiras, causadas pela falta de trabalho, Carlos Areia reconheceu que pensou, mais do que uma vez, no suicídio.

“Pensei desistir da vida, mas não tenho coragem.
Não tenho mesmo coragem. Sou medroso.”

Carlos Areia

“Passo muitas vezes na ponte e penso: ‘Atiro-me lá para baixo mas não sei nadar’ ou ‘Com a sorte que eu tenho caio em cima de um barco e parto-me todo’. Não, é melhor não. Sou covarde a esse ponto. Mas pensei… Resolvia os problemas todos”, continuou.

“Penso que se tivesse uma arma em casa tinha
resolvido os problemas. Não me espanta
que haja uma taxa de suicídio muito grande
no nosso país. Não me espanta nada…”
Carlos Areia

Ausente da televisão desde 2014, após uma participação na novela “Jardins Proibidos”, da TVI, Carlos Areia relata que “há momentos em que o afastamento parece definitivo”. “Já parei de olhar para o telefone [à espera de convites profissionais] e já perdi um bocado a esperança”, reconhece.

Recusa-se, porém, a atribuir culpas a alguém. “O defeito é meu… Só pode. Fico chateado porque não me chamam para fazer isto ou aquilo mas não culpo ninguém. A culpa deve ser minha…”

TEXTO: Dúlio Silva