Lourenço Ortigão chora morte do avô. Leia aqui a carta do “bandido” sobre o “Shô Zé”

Morreu, esta quinta-feira, o avô materno de Lourenço Ortigão. O ator de “A Herdeira” falou sobre a herança que guarda de José num emotivo texto que publicou na sua página oficial de Facebook.

Para o avô, ele era o “bandido”. Para o “bandido”, o avô era o “Shô Zé”. Esta é apenas uma das curiosidades que descobrimos na carta que a jovem estrela da TVI dividiu, esta sexta-feira, com os seus seguidores daquela rede social.

Lourenço Ortigão confessa-se com “muitas saudades e com um aperto gigante no peito e lágrimas a escorrerem-lhe pela cara por não o ter neste momento aqui ao seu lado”. Exteriorizou, por isso, os seus sentimentos numa mensagem sobre o seu “querido avô”. Leia-a em seguida.

Fotografia: Facebook Lourenço Ortigão

Meu querido avô…

Um lutador, que nunca se queixou, mesmo nos momentos mais difíceis. Que nos adorava, nos fez sorrir até ao último dia com os seus olhos brilhantes de cada vez que olhava para nós. Sempre carinhoso, agradecendo todos os pequenos gestos com uma humildade e dignidade inabaláveis. Sempre orgulhoso da minha mãe, do meu pai, de mim e dos meus irmãos com palavras de incentivo e apoio e sem medo de expressar o quanto nos admirava e adorava.

Com o seu feitio especial, que me conseguia fazer rir com cada crítica que fazia ao meu cabelo ou a barba. Odiava laranjas e alho, presente que eu oferecia todos os dias que o visse e que nunca cansou uma gargalhada honesta e babada de amor e cumplicidade. Sábio, com uma vida digna de uma história de livro e melhor contador de histórias que conheci.

Tantas frases e expressões e memórias que guardo. Tantos momentos a sós a ver quem tinha mais força no braço de ferro, a receber conselhos ou a discutir desporto ou política ou simplesmente a falar da vida. O seu olhar interessado a ouvir com orgulho as minhas viagens, conquistas e experiências. Sempre com uma opinião honesta e perspicaz sobre todos os meus projetos, fosse mais ou menos do seu género de gosto, que via nem que fosse para poder dizer “eu vejo-te todos os dias meu querido neto”. Com uma paixão pelos carros partilhada com o meu irmão Tomás.

Isto seria apenas dois parágrafos de um livro que conseguiria escrever sobre o meu adorado avô. O único que tive oportunidade de conhecer, e que seria incapaz de querer outro.

Obrigado, “Shô Zé”. O seu bandido estará sempre aqui em baixo a enchê-lo de orgulho com muitas mas mesmo muitas saudades e com um aperto gigante no peito e lágrimas a escorrerem-lhe pela cara por não o ter neste momento aqui ao seu lado. Amo-o tanto.

TEXTO: Dúlio Silva