26 anos depois, saiba o que pode esperar do regresso de “Twin Peaks”

TEXTO: Ana Filipe Silveira

No dia em que “Twin Peaks” regressa à televisão norte-americana, 26 anos após o seu cancelamento, a Notícias TV revela o que pode esperar deste ressurgimento e faz ainda uma retrospetiva das séries de culto que estão na memória de todos nós.

A expectativa em torno do regresso de “Twin Peaks” é alta. A série estreia hoje nos Estados Unidos a sua terceira temporada, 26 anos depois de ter sido cancelada, e dentro de uma semana chega a Portugal através do TVSéries. Mas o universo televisivo da atualidade pouco ou nada tem a ver com o que em 1990 recebeu a trama escrita por David Lynch e Mark Frost. Na época, a história em torno da morte de Laura Palmer era contada de forma inovadora, trazendo para o pequeno ecrã uma narrativa e uma estética até aí apenas vista nas grandes salas de cinema. Hoje, a situação inverteu-se e é a ficção televisiva que tem ameaçado a Sétima Arte. “Gosto da ideia de uma história contínua“, disse Lynch ao “The Independent“. “E a televisão anda muito mais interessante do que o cinema. Parece que a arte está agora na TV”, acrescentou.

O que esperar, então, desta nova produção? Pouco ou nada tem sido revelado, sabendo-se apenas que a ação também avança no tempo e que a maioria dos protagonistas de outrora estão de volta, com Sheryl Lee, Kyle MacLachlan e Everett McGill à cabeça. Ou ainda o próprio Lynch estará, embora em apenas um dos 18 novos episódios, na pele do agente Gordon Cole.

Aliás, Lynch alertou já várias vezes para os espectadores não esperarem um “remake”, mas uma continuação dos acontecimentos do último capítulo emitido, em 1991. “Os fãs que se sentiram abandonados quando a série terminou onde terminou vão gostar do rumo que a mesma seguirá”, acrescentou Frost.

O canal Showtime, que encomendou “Twin Peaks” à dupla de criadores, também já adiantou que o resultado final é fruto da “liberdade” que dá aos autores com quem trabalha. “Têm autorização para explorar as partes mais obscuras da imaginação. Não há ninguém a quem prefira dar essa liberdade do que a Lynch e Frost“, frisou o vice-presidente executivo da estação, Gary Levine.

E se essa liberdade pode resultar, também já está provado que pode ser uma desilusão, como aconteceu quando a segunda temporada se revelou um fiasco e foi, consequentemente, cancelada: a ABC interferiu no argumento dos criadores, contra a vontade destes, acelerando a resolução do crime que mantinha a narrativa. Os espectadores afastaram-se.

Ainda assim, a confiança no êxito mantém-se. “Ao longo dos anos, muitas pessoas dizem que fomos uma fonte de inspiração, que as levou a pensar diferente sobre a forma de contar histórias. Agora que vamos fazer esta série novamente, estou feliz por voltar a entrar em ação”, sublinhou Mark à “Variety“.

Por último, mas não menos importante: o tema musical de Angelo Badalamenti. Aquele que fez palpitar muitos corações e que ajudou a que o frio se instalasse em muitas barrigas. Promete, a partir de hoje, proporcionar as mesmas experiências.

SÉRIES DE CULTO:

“Ficheiros Secretos” (1993)

Um ano depois do fim de “Twin Peaks“, a Fox imprimia nos espectadores frases como “A verdade anda lá fora”, “Eu quero acreditar” ou “Não confie em ninguém”. A culpa foi de “Ficheiros secretos”, da autoria de Chris Carter, outra série em tom conspiratório em ambiente misterioso.

“Os Sopranos” (1999)

Com um registo bem diferente, mas hoje considerada uma série de culto, “Os Sopranos” de David Chase e emitida pela HBO teve uma enorme legião de fãs. O Writers Guild of América nomeou-a a série de TV mais bem escrita de sempre e o TV Guide a melhor série de todos os tempos.

“Dr. House” (2004)

Diagnosticou o que, à partida, parecia indiagnosticável e trouxe Hugh Laurie para a ribalta. Ficou na história como uma série sem paralelo: nunca tinha sido visto nada semelhante, nem se voltou a ver desde o seu final, em 2012. Foi, em 2007, a série de televisão mais vista em todo o mundo. As suas oito temporadas agarraram uma média de 14 milhões de pessoas nos Estados Unidos.

“A Guerra dos Tronos” (2011)

Não é possível falar de ficção televisiva de culto sem mencionar a adaptação dos livros de George R. R. Martin. A série é a mais pirateada em todo o mundo há cinco anos e tem batido recordes de audiências, incluindo os de Oprah Winfrey ou os das sagas “Star wars” e “Twilight“. A justificação? A quantidade de mortes inesperadas, dizem os críticos.