11 de Setembro: Onde é que eles estavam no dia que mudou o mundo?

Há 16 anos o mundo surpreendeu-se em direto com um avião a embater contra as Torres Gémeas. Uma, duas vezes. A surpresa deu lugar ao terror. Mais tarde à constatação de que o mundo mudara e a palavra segurança passaria a ter um novo sentido.

Hoje, 16 anos depois, a sociedade ocidental passou a conviver com o terrorismo. Nos Estados Unidos e na Europa, mais ou menos mortais, mais ou menos sangrentos, os atentados entraram no nosso quotidiano. E a vida segue, dia após dia, como se soubéssemos que a qualquer momento pode haver outro, mas conscientes que essa inevitabilidade não nos pode fazer parar.

Na passagem de mais um aniversário desse ataque ao coração de Nova Iorque, a N-TV juntou testemunhos de várias figuras públicas. Como souberam da notícia? O que pensaram naquele momento? Ou, aproveitando a célebre rábula de Herman José às entrevistas de Baptista Bastos, “mas afinal onde é que tu estavas… no 11 de Setembro”?

Fátima Campos Ferreira


“Era hora de almoço. Lembro me de estar a almoçar à pressa para ir para a televisão. Na altura creio que estava a começar um novo projecto no “Jornal 2″. Ia para o ar às 22 horas, mas eu começava a tratar dos principais temas logo de manhã. Encontrar convidados que fizessem a diferença era um desafio. De repente, surgiu a notícia. E minutos depois vi na televisão o segundo avião a embater numa torre, e não tive dúvidas que era um atentado, como nunca tínhamos visto. A minha primeira reação, claro, que foi pesquisar toda a informação que pudesse obter através dos diferentes canais disponíveis nessa altura. Lembro me de dizer aos meus filhos que não saíssem de casa nessa tarde. E fui rapidamente para a televisão. É uma data que sempre está na minha memória. O mundo político, social e económico tem um antes e um depois do 11 de setembro. Um início de século violento, e que mudou as relações internacionais e vai marcar ainda durante muito tempo.”

João Baião


“Estava em casa a preparar-me para sair quando vi nas notícias. Inicialmente pensei tratar-se de mais uma grande produção de Hollywood, mas depois percebi infelizmente que era a vida real. Ainda vi o embate do segundo avião em direto. Fiquei estarrecido: tinha estado lá há duas semanas.”

Fernando Alvim


“Lembro-me perfeitamente. Estava a fazer rádio, na altura da Rádio Comercial. Vi na televisão e, tal como toda a gente, pensei que o segundo embate era uma repetição do primeiro. O que me lembro é que tive de decidir se continuava a divertir as pessoas ou não. Decidi só dizer as horas. Se é verdade que para a geração dos nosso avós a pergunta é: “Onde estavas na Segunda Guerra Mundial?”, para os nossos pais, é: “Onde estavas no 25 de Abril?”, para a minha geração é “Onde estavas no 11 de Setembro?”

Fátima Lopes


“Estava no escritório a trabalhar e soube pela comunicação social, embora já não me lembre bem de todos os pormenores. Claro que fui logo a correr para a ligar a televisão, alertada por amigos, até porque me parecia uma coisa impossível de acontecer. Aliás, no início, devo confessar que duvidei da veracidade da notícia, achei que era engano. Só acreditei quando vi com os meus próprios olhos. Lembro-me de pensar que nada ficaria como dantes. Aquilo era um sinal de novos e maus tempos.”

Vítor de Sousa


“Estava a trabalhar para a Endemol e fui almoçar perto do Centro Comercial das Amoreiras. Vi a notícia pela televisão e todos percebemos que algo de muito grave tinha acontecido. E aconteceu. Corremos para a Endemol, eu o Piet-Hein e o Pedro Curto, e ficámos colados ao televisor, em pânico. Tive medo. E, na verdade, era um começo de violência no mundo. E nada pudemos fazer. Até hoje.”

Fernando Pereira


“Estava no Hotel Solverde, em Espinho, pois tinha então uma grande produção lá no Casino. Assisti ao embate na segunda torre ainda em direto na CNN e recebi na altura centenas de telefonemas de amigos em todo o mundo, que julgavam que estivesse nos USA. Efetivamente, tinha estado com vários dos meus músicos americanos algum tempo antes, numa “jamm session” no Windows of the World, o restaurante panorâmico que existia no topo do World Trade Center, com uma vista fabulosa e rotativa de 360 graus sobre Manhattan… Foi terrível e mudou totalmente o paradigma do terrorismo.”

Rui Águas


“Foi um dia difícil. Penso que estava no funeral de um antigo diretor do Benfica e da Federação Portuguesa de Futebol, o Alberto Silveira. Alguém me falou do sucedido. Não tenho a certeza, mas penso que tenha sido o Samuel, meu antigo colega do Benfica. Na altura, e naquele momento, não acreditei. Só quando cheguei a casa e consegui ligar a televisão é que confirmei que era verdade. Até aí tinha sido difícil imaginar o cenário, tal a violência da ideia.”

Manuel Luís Goucha


“Eu nessa altura estava na RTP e lembro-me perfeitamente que nesse dia estava a almoçar com o João Gobern em Gaia. Creio que era uma entrevista que ele me estava a fazer por causa da ‘Praça da Alegria’. Depois disso, voltei a uma reunião no Porto, na RTP, e quando entro na sala de produção da ‘Praça da Alegria’, vejo o segundo avião a embater na torre. Imediatamente, pensei que se tratava de uma cena de um filme de Hollywood, mas quando vi a cara de horror de todas as pessoas que estavam presentes é que percebi que não podia ser. Confesso que levei algum tempo a processar a ideia. Hoje é evidente que foi ali que tudo mudou.”

TEXTO: Nuno Azinheira